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ARTis ON 12 (2021) - Edição especial

pub: 25 janeiro 2021

 

ARTis ON 12 (2021) - Edição especial

Coordenação editorial: Maria João Neto, Clara Moura Soares
 
A CONSERVAÇÃO DO PATRIMÓNIO ENTRE GUERRAS (1919-1939)
 
No ano em que passam 90 anos sobre a assinatura da Carta de Atenas para o Restauro de Monumentos Históricos (1931), o Grupo de Investigação Patrimonium do ARTIS - Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, pretende assinalar a efeméride através da edição de um número especial da ARTis ON.

No presente número da revista ARTis ON, ambiciona-se avaliar, à escala internacional, o contexto em que a Carta de Atenas foi elaborada, no âmbito alargado da ação da Sociedade das Nações em prol da defesa e valorização do património histórico, artístico e arqueológico, móvel e imóvel.


A Carta de Atenas, adotada na sequência do Primeiro Congresso Internacional de Arquitetos e Técnicos de Monumentos Históricos (Atenas, 21-30 outubro de 1931), e publicada no âmbito da Sociedade das Nações, constitui o primeiro documento internacional em matéria de conservação e restauro. Nele se afirmam questões tão importantes e tão atuais ainda hoje, como, a natureza internacional dos monumentos, estimulando-se a cooperação internacional para uma maior eficácia na sua conservação e restauro; a reutilização/refuncionalização dos monumentos como medida de conservação; a dimensão urbana do património e o seu papel no desenvolvimento das cidades; a importância da informação e da educação para o conhecimento e conservação do património.

A Carta de Atenas é, porém, muito mais do que um documento. Enquadra-se no plano de ação da Sociedade das Nações, fundada a 28 de janeiro de 1919, logo a seguir ao final da Primeira Guerra Mundial, para a salvaguarda, conservação, restauro, estudo e divulgação do património histórico e artístico, imóvel e móvel. Neste âmbito foi estabelecido o International Comittee on Intellectual Cooperation (1922, Paris), e na sua dependência o International Museums Office (1926) e a International Commission on Historical Monuments (1933), responsáveis pela efetivação da cooperação internacional no domínio do património histórico, artístico e arqueológico, através da promoção de reuniões científicas, de publicações periódicas, como o Museion - Bulletin de l'Office International des Musées (criado em 1927),  e de documentos de orientação técnica e de gestão.
 
A Conferência Internacional para o Estudo dos Métodos Científicos Aplicados ao Exame e à Conservação de Obras de Arte (Roma, 1930), o já citado Congresso Internacional de Arquitetos e Técnicos em Monumentos (Atenas,1931), a Conferência Internacional sobre Arquitetura e planeamento de Museus (Madrid, 1934), e a Conferência Internacional sobre Escavações Arqueológicas (Cairo, 1937), onde se debateram os temas mais prementes e atuais para a época, foram decisivos na evolução do pensamento e das boas práticas em torno da conservação e restauro. Os resultados alcançados divulgaram-se, nomeadamente, através de manuais práticos de conservação, como La Conservation des Monuments d'Art et d'Histoire (1933), Museographie: Architecture et Aménagement des Musées d'Art (1935), o Manuel de la Conservation et de la Restauration des Peintures (1938), ou o Manuel de la Technique des Fouilles Archéologiques (1939). Obras que constituem das primeiras publicações internacionais onde se discute o alcance da cooperação intelectual no domínio da ciência e do património. 
 
A referida cooperação internacional, permitiu que se alcançasse, igualmente, a elaboração de documentos diplomáticos tão significativos como a Convenção para a Proteção de Monumentos e Obras de Arte em Tempos de Guerra (1939). Factos que sustentam a premissa de que foi, indiscutivelmente, no período entre guerras que se alteraram os protocolos da conservação e restauro e de gestão patrimonial, definindo-se metodologias científicas de análise e estabelecendo-se normas de proteção de bens culturais. 
 
Se é inquestionável que a Segunda Guerra Mundial trouxe a necessidade de se refletir com novos argumentos a prática da salvaguarda e da intervenção no património, também é certo que depois de 1945 se recuperaram e adaptaram iniciativas anteriores, encetadas no âmbito da Sociedade das Nações, como a criação de novos organismos internacionais destinados a fomentar o debate sobre os temas mais eminentes da conservação e restauro (ICOMOS, ICOM, ICCROM) e a promulgação de outros documentos orientadores de que é exemplo a Carta de Veneza (1964).
 
 
Considerando, particularmente, o período de duas décadas, situado entre o final da Primeira Guerra Mundial e o início da Segunda Guerra, convidam-se os autores a apresentar os resultados da sua investigação sobre tópicos como:
  • consequências da Primeira Guerra Mundial sobre o património;
  • personalidades envolvidas nos diversos comités e organizações criadas;
  • testemunhos da cooperação internacional (reuniões científicas, publicações, etc.);
  • a revista Museion (conteúdos e colaboradores);
  • efeitos da Carta de Atenas nas políticas de conservação e restauro;
  • a legislação para a preservação de sítios históricos;
  • a formação e a ação dos técnicos de conservação e restauro;
  • materiais e técnicas de construção na conservação e restauro do património;
  • projetos de restauro e/ou de reutilização/refuncionalização de monumento;
  • iniciativas de valorização e de divulgação do património;
  • projetos de inventário;
  • arquitetura e planeamento de museus;
  • criação de arquivos fotográficos de monumentos e de obras de arte;
  • estabelecimento de laboratórios para o estudo de obras de arte;
  • iniciativas e estruturas organizacionais criadas após a Segunda Guerra Mundial recuperados ou adaptados do período pós Primeira Guerra Mundial.
Outros tópicos propostos pelos autores poderão ser considerados pela Comissão Científica da ARTis ON, desde que devidamente integrados no âmbito temático do presente número da revista.
 
Serão aceites, até 15 de junho 2021, artigos relacionados com o tema, segundo as normas da revista, disponíveis em:
http://www.artis.letras.ulisboa.pt/multimedia/ficheiros/publicacoes/ARTis%20ON%20-%20NORMAS%20DE%20PUBLICA%C3%87%C3%83O.pdf

Todos os materiais devem ser enviados para os seguintes endereços eletrónicos: revistaartison@letras.ulisboa.pt e claramourasoares@letras.ulisboa.pt
 
Para artigos cujo tamanho do ficheiro seja igual ou superior a 1MB, o envio deve ser feito através de um sistema de partilha (Wetransfer, Dropbox, Meo cloud, One Drive, etc.).

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